Xistopedia

Montanhas de água

Montanhas de água
natureza lazer
Este é um território onde a água é rainha. Ela sulcou estas montanhas desenhando muitas das deslumbrantes paisagens que vemos. Ela alimenta animais, empresta a sua força vital à atividade agrícola do Homem e refresca o seu lazer.

Na Serra do Açor, a 1118 m de altitude, nasce o Rio Ceira, que, 100km depois, à sua chegada a Coimbra, afluirá ao Mondego. Onze Aldeias do Xisto estão na sua bacia hidrográfica.

O Alvoco e depois o Alva, embora nasçam na Serra da Estrela, também são alimentados à sua esquerda pela Serra do Açor. Depois de se encontrarem na Ponte das Três Entradas, próximo da Aldeia do Xisto de Aldeia das Dez, o Alva também encontrará o Mondego próximo de Penacova. Três Aldeias do Xisto estão na sua bacia hidrográfica.

Depois de nascer aos 1900m da Serra da Estrela, o Rio Zêzere, já mais sereno, passa por Belmonte e Covilhã. Daqui e quase até desaguar no Tejo - no seu troço denominado "Fosso do Zêzere" - é alimentado, de ambas as margens, por este mar de montanhas.

Nestes vales escavados pelas águas com pressa de serem ribeiras e rios, implantou o Homem barragens para transformar a força do fluir das águas em electricidade.

Próximo de Cambas (Oleiros), entre Janeiro de Cima e Álvaro, o Zêzere deixa de ser rio e passa à calmaria das águas de albufeira. Se não corresse num vale encaixado daqui até Constância, ver-se-ia que o conjunto das albufeiras das 3 barragens (Cabril, Bouça e Castelo de Bode) formam um imenso lago artificial, com mais de 5800 hectares. Dez Aldeias do Xisto estão na sua bacia hidrográfica.

Por vezes, as águas destes rios repousam antes de continuarem a sua viagem.
O Homem não quis que corressem selvagens, como sempre foram. Por isso, hoje, as superfícies tranquilas de várias albufeiras espelham as paisagens que as envolvem.

A Ribeira de Unhais, com a construção da Barragem de Santa Luzia (1942) deixou de rugir na garganta da Serra do Vidual. O Ceira apenas tropeça na Barragem do Alto Ceira (1949). Mas nem a gigantesca Barragem de Castelo de Bode (1951) consegue armazenar a muita água que estas montanhas produzem. A Barragem do Cabril (1954) aproveitou o nome do estrangulamento do Zêzere junto a Pedrógão Pequeno. À saída desta, como se o Zêzere voltasse a querer ser selvagem, a Barragem da Bouçã (1991) impediu que o fosse. Formam um imenso lago com cerca de 6100 hectares, quase em contínuo. Uma montanha de água com 2 biliões de metros cúbicos de água doce.

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