ADXTUR-Danilo Pavone Ponte
Logo à entrada, uma pequena ponte leva-nos a atravessar um portal para um mundo mágico.
Percorrer a aldeia é um exercício físico e sensorial. A cada passo há um recanto, um beco, um elemento que não se sabe se ali foi colocado pelo Homem ou pela Natureza. Não há dissonâncias. Há o som da tranquilidade.

ADXTUR-Danilo Pavone
Ao entrarmos na Cerdeira, descendo até ao pequeno regato, deparamos com o perfil desalinhado das construções. O tom dominante do xisto sobrepõe-se ao verde das encostas, ao azul do céu ou ao branco das nuvens.
Os habitantes desta e de outras aldeias deverão ter frequentado a universidade da serra. Os edifícios foram implantados sobre um morro rochoso, não ocupando as escassas áreas mais planas que dedicaram à agricultura. Uma obra de engenharia rodeou a aldeia com uma escadaria de socalcos que seguram a terra que as chuvas e a erosão levavam encosta abaixo. A implantação e a arquitetura das construções parece que obedeceu a um plano que teve como objetivo maravilhar os visitantes no séc. XXI.
A Cerdeira é um local mágico. Logo à entrada, uma pequena ponte convida-nos a conhecer um punhado de casas que espreitam por entre a folhagem. Parece que atravessamos um portal para um mundo fantástico. Tudo parece perfeito neste cenário profundamente romântico. O chão de ardósia guia-nos por um caminho até uma fonte no meio de uma frondosa vegetação.
Entre encostas declivosas rasgadas por linhas de água que se precipitam lá do cimo, a Cerdeira aninha-se, na mais bucólica envolvente. Esta é uma aldeia que a arte e a criatividade ajudaram a refundar. Aliás, em certos momentos do ano, esta aldeia é animada por encontros temáticos que juntam arte e botânica.
A Cerdeira é hoje um local de criação artística, através de residências artísticas internacionais, da realização de workshops de formação e de pequenas experiências criativas, em suma, um lugar para retiros criativos, de bem-estar, tirando partido da sua riqueza natural, do silêncio e de todas as infra-estruturas que desenvolvemos para que isso seja possível: os alojamentos, a Casa das Artes, os ateliers, a Biblioteca, a Galeria, o Forno comunitário, o Café da Videira. Acolhemos também, anualmente (Julho), o festival «Elementos à Solta – Art meets Nature», que reúne criadores contemporâneos de diferentes áreas e transforma a aldeia numa galeria de arte ao ar livre.
ADXTUR-Danilo Pavone Logo à entrada, uma pequena ponte leva-nos a atravessar um portal para um mundo mágico.
ADXTUR-Bruno Ramos
ADXTUR-Danilo Pavone Desde 2003 que faz agricultura biológica certificada na aldeia, e comercializa plantas aromáticas, medicinais e condimentares através da sua marca "Planta do Xisto".
ADXTUR-Foge Comigo Inspirando-se na serra que a envolve, transforma pedaços de madeira em arte. Visite o Atelier da Cerdeira, logo à entrada da Aldeia.
ADXTUR-Bruno Ramos Durante os "Elementos à Solta" a aldeia transforma-se numa galeria de arte.
ADXTUR-Foge Comigo
ADXTUR-Rui Rebelo
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ADXTUR-Foge Comigo 
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Alminha
A aldeia dispõe, basicamente, de uma ruela, declivosa, que liga o seu topo à ribeira que corre no fundo do vale. As construções dispõem-se irregularmente ao longo dela, com pequenos recantos entre elas. O material de construção predominante é um xisto escuro e nenhuma fachada se encontra rebocada.
Os edifícios da Cerdeira guardam, depois de recuperadas, as memórias e a arquitetura de outros tempos. A tradicional pedra de xisto é usada tanto nas habitações como nos currais para animais, e ganha reflexos muito especiais quando o sol atravessa o ar húmido da serra. Ao crescer sobre o terreno inclinado, o casario foi-se implantando de frente para o astro-rei e os caminhos esculpiram-se nos afloramentos rochosos sem distinção clara entre o público e o privado, resultando em ambientes intimistas, como autênticas gravuras.
Merecem destaque:

ADXTUR-Bruno Ramos
Em termos gerais, a história desta aldeia é comum às histórias das restantes quatro Aldeia do Xisto do concelho da Lousã. A fixação da população nas aldeias da Serra da Lousã terá ocorrido a partir da segunda metade do séc. XVII ou pelo início do séc. XVIII. Até então a ocupação seria apenas sazonal, na primavera e verão, nomeadamente com atividades pastoris. De facto no “Cadastro da população do reino (1527)“ nenhuma destas aldeias é referida no termo da Lousã. Os documentos mais antigos que indiciam a sua ocupação são uma multa infligida pela Câmara da Lousã em 1679 e o registo de propriedades foreiras ordenado por D. Pedro II, de 1687.
No início do séc. XIX apenas o Candal e a Cerdeira escaparam ao saque do exército napoleónico. Em 1885 a população das sete aldeias (as cinco Aldeias do Xisto, mais Catarredor e Vaqueirinho) corresponderia a 8,7% do total da freguesia da Lousã (5340 habitantes).
Teve seis moinhos hidráulicos e dois rebanhos, com um total de 800 cabeças. O Plano de Fomento Florestal do Estado Novo, do início da década de 1940, arborizou as áreas de pastoreio e ditou o declínio desta e das outras aldeias.
Referem os censos que o maior número de habitantes se registou em 1940: eram 79.

ADXTUR-Foge Comigo
A Cerdeira está integrada no Sítio de Importância Comunitária da Serra da Lousã, da Rede Natura 2000. Frequentemente encontramos veados mesmo à entrada da aldeia. Ao entrar na aldeia passamos uma ponte de madeira que cruza um pequeno riacho. Mas, do vale, no fundo da aldeia, eleva-se o canto tumultuoso de águas agitadas. Como parte de um presépio disposto na encosta da serra voltada a sul e poente, a aldeia da Cerdeira tomou espontaneamente a configuração de um teatro entrecortado pelo sulco serpenteante de uma ribeira. É a Ribeira da Cerdeira, que transporta as águas que se precipitam das encostas ocidentais mais elevadas da Serra da Lousã.
O movimento da água parece querer animar a aldeia que estabelece uma íntima relação com o curso de água, ao longo do qual se foram instalando alguns moinhos e sistemas de rega. Aqui passam, em rápida corrida, as águas que caíram no Trevim no seu percurso para encontrarem a Ribeira de S. João, o rio Arouce, o rio Ceira e o rio Mondego.

ADXTUR-Rui Rebelo
É uma das cinco Aldeias do Xisto do concelho da Lousã, tal como as restantes, localizada na profundamente escavada bacia hidrográfica da Ribeira de São João, o principal curso de água a drenar este flanco da serra, a oeste do seu ponto mais elevado (Trevim, a 1204m).
A aldeia desenvolve-se quase na vertical de uma encosta, ao longo da qual o pardo casario de xisto forma como que uma escadaria. Entre as casas, uma única e íngreme viela transporta-nos, num traçado sinuoso, ao topo e ao fundo da aldeia. Entre encostas declivosas rasgadas por linhas de água que se precipitam lá do cimo, a Cerdeira aninha-se, na mais bucólica envolvente. Em linha recta o ponto mais alto da serra está ali, a pouco mais de mil metros. Mas visto da aldeia parece que toca o céu.

ADXTUR-Danilo Pavone
As serranitas, de Kerstin Thomas.
Convidamo-lo a conhecer os diferentes padrões do xisto e as regras de construção com este material.
29/08/2020 - 10:00 — 06/09/2020 - 18:00
Kerstin Thomas e Renato Costa e Silva ensinam como experimentar, brincar e orientar o efeito que as chamas e depósito das cinzas têm sobre as peças.
Parte do trajecto é feito acompanhando uma levada. Durante o percurso é possível visitar as Aldeias do Xisto do Candal e da Cerdeira.
09/09/2020 - 09:30 — 13/09/2020 - 16:30
Os artistas Bodil Eide e Paulo Borges orientam o curso que vai desenvolver e enriquecer a capacidade de expressão através do desenho.
11/09/2020 - 15:00 — 13/09/2020 - 13:00
Esta é uma oportunidade única para conhecer e experimentar as diferentes técnicas de pintura sobre azulejo.
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