Ponto de Interesse

Museu Monsenhor Nunes Pereira

Fajão, Pampilhosa da Serra

A fé de perpetuar pela arte as memórias e a cultura

Monsenhor Augusto Nunes Pereira
(Mata de Fajão, N: 03.12.1906; F: 01.06.2001)

Era filho de pai escultor santeiro que faleceu quando Augusto tinha nove anos: "Dele herdei este jeito para as artes e um razoável conjunto de ferramentas, com as quais iniciei a minha aprendizagem manula: plainas, serras, formões, goivas e o mais da arte". Cresceu e viveu até à adolescência em contacto directo com a vida dura e agreste das gentes da serra. Em 1919, entrou no Seminário de Coimbra e de lá saiu ordenado sacerdote, em 1929. Foi pároco em Montemor-o-Velho, Coja e em S. Bartolomeu, Coimbra, até se aposentar. De 1952 a 1974 foi chefe de redacção do "Correio de Coimbra” que ilustrou com muitas gravuras. Dirigiu o Museu de Arte Sacra do Seminário Maior de Coimbra. Colaborou no estudo de monumentos, na valorização do património arqueológico da Igreja de São Bartolomeu e investigou sobre os túmulos e o púlpito de Santa Cruz, tendo colaborado no inventário cultural de Arte Sacra da diocese de Coimbra. Fundador do Movimento Artístico de Coimbra e da Sociedade Cooperativa de Gravadores de Portugal e sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes. Possui numerosos artigos, poemas e ilustrações em jornais, catálogos, opúsculos e monografias.

Obra artística

“A partir de 1958, dedicou-se à aguarela, após viagens a Paris, Itália, Alemanha e Holanda. Desenhava, com rapidez, à pena, esculpia, pintava e, dados os seus conhecimentos na área da madeira, aprendeu, numa tarde, a técnica da gravura em metal com José Contente.” Paulino M. Tavares (http://www.ccr-c.pt/dmf/ )

Na base de todos os meus trabalhos está, sem dúvida, o desenho. Desenho em casa, na rua, nos cafés, nas reuniões, nos almoços. O meu desenho, salvo o que faço no gabinete, é um desenho de viagem, aproveitando ocasiões e às vezes escassos minutos.

São da sua autoria os seguintes vitrais:

  • Capela da Casa de Saúde de Santa Filomena, em Coimbra (o seu primeiro trabalho)
  • Capela de Montalto em Arganil
  • Igreja de Santa Maria de Celorico da Beira
  • Igreja de Manteigas
  • Igreja de Ponte Sótão (Góis)
  • Igreja de Ponte da Barca
  • Igreja de Cardigos
  • Igreja de Guarda-Gare
  • Igreja de Paleão (Soure)
  • Igreja de Carnide (Pombal)
  • Igreja de S. José, em Coimbra

Executou trabalhos de xilogravura, desenhos artísticos a buril, água forte, ponta seca e lápis, gravuras em madeira, cobre, lousa, marfim e calhau rolado.
Deste material diria: "Privado das arestas, polido e quase envernizado, é um belo material oferecido à imaginação do escultor que chegado a esta idade vê nele o símbolo do seu próprio batalhar na vida”.

É autor dos painéis de madeira da Igreja da Tocha, da Igreja de Bustos, da Igreja de Coja, da Igreja do Seminário Maior de Coimbra, da Via-Sacra de Colmeias (Leiria),  da via sacra da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes (Coimbra), da via sacra da igreja do Colégio de São Teotónio (Coimbra), da via sacra da igreja de Ansião.

Trabalhos em ferro forjado:

  • Igreja do Cardal (Pombal),
  • Igreja de Ponte Sotão (Góis)
  • Igreja de Arganil

Gravuras em lousa:

  • Museu de Fajão
  • Museu do Seminário Maior
  • Capela das Minas da Panasqueira

As xilogravuras dos Contos de Fajão, a par de gravuras de Jesus, de Santos e do culto mariano, constituem um valioso espólio etnográfico e de Arte Sacra do Museu do Seminário Maior de Coimbra. Nesta especialidade foi o melhor artista português da segunda metade do séc. XX.

Contactou com os mestres Pietro Pariggi, em Florença e André Jaquemin, em Épinal. Criou a Oficina-Museu do Seminário Maior de Coimbra, onde se encontra grande parte da sua obra artística, nomeadamente a colecção completa das gravuras em madeira da obra “Os contos de Fajão”. Realizou várias exposições no país e no estrangeiro, e relacionou-se com vários mestres. Este seu contacto com outros artistas e a exposição frequente das suas obras fizeram-no sair do anonimato, tornando-se a sua arte conhecida e admirada não só na cidade mas por todo o país e, mesmo, além fronteiras.

A 13 de Setembro de 1977, em reconhecimento da sua obra, abriu em Fajão, um museu que lhe é dedicado. Nomeado Presidente Honorário da Sociedade Recreativa e Progresso da Mata (Fajão). Em 1986, a Câmara Municipal de Coimbra atribuiu-lhe a medalha de Ouro da Cidade. Grande parte da sua obra artística concretizou o seu sonho de salvar e divulgar as memórias e a cultura das gentes da Serra do Açor. O génio e a arte aliaram-se no grande homem, padre e artista que foi Augusto Nunes Pereira, para produzirem abundantes e saborosos frutos e para deliciarem os interessados e apaixonados pela beleza e pela arte. Faleceu a 1 de Junho de 2001, com 94 anos

Contactos e Informações

Localização:
Fajão, Pampilhosa da Serra 
Lat.: 40° 8' 58.2" N
Long.: 7° 55' 20.208" W

Horários: 

Contactar Junta de Freguesia de Fajão

Preços: 

Preço simbólico

Contactos

Associado

Junta de Freguesia de Fajão

Rua César Vicente da Silva
3320 Fajão, Pampilhosa da Serra 
Portugal
(+351) 235 751 317 (+351) 235 751 029

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