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A Ordem de Malta

Com forte presença na aldeia de Álvaro, em Oleiros, a Ordem de Malta chegou a Portugal no séc. X

A Ordem de Malta foi instituída em Jerusalém em 1099 ou 1100, com a fundação de uma casa religiosa para abrigo de peregrinos. Anos depois edificou junto dela um hospital dedicado a S. João Baptista para tratar doentes. Por isso, a primeira designação foi Ordem dos Hospitalários ou Ordem de S. João de Jerusalém.

Em 1113 obtém reconhecimento papal como ordem religiosa e em 1120 junta ao apoio aos doentes, o serviço militar para combater os inimigos da fé cristã. Torna-se poderosa e espalha-se por quasi toda a Europa. Em 1306 estabelece a sede na ilha de Rodes, pelo que se intitularam os seus membros “Cavaleiros de Rodes”. Solimão II, imperador otomano, conquistou esta ilha em 1523.
O Imperador Carlos V ofereceu a ilha de Malta para acolhimento da Ordem, local onde em 1530 veio a estabelecer a sua sede, passando desde então a ser conhecida por Ordem de Malta. Em 1839 passa a Ordem Militar Soberana de Malta.

Ordem de Malta em Portugal

A Ordem de Malta chegou a Portugal no tempo de D. Teresa (regência: 1112-1128) que lhe concedeu o Mosteiro de Leça do Balio, a sua primeira casa em Portugal. Afonso Henriques, em 1140, atribui-lhe carta de couto e privilégios.
Sancho I (reinado: 1185-1211) em 1194 doa ao Prior do Hospital, D. Affonso Pelagio e a todos os irmãos da mesma Ordem, presentes e futuros, uma terra chamada Guidintesta, vasto domínio entre o Zêzere e o Tejo, onde poderia edificar um castelo a que o rei pôs o nome de Belueer (Belver).
D. Sancho II (reinado: 1233-1248) amplia esses domínios para o Alto Alentejo para ser edificada e povoada uma fortaleza no lugar de Vcrate (actualmente Crato). Aqui a Ordem fundará em 1356 o Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, que será a sua sede.
Porém, a monarquia começou a querer controlar o poder do Priorado do Crato, situação que se agudizou durante a regência do Infante D. Pedro (1392-1449). D. João III doará em 1528 o Priorado ao Infante D. Luís e obterá, em 1551, uma bula papal que permite que o filho do infante (D. António, o Prior do Crato) seja herdeiro do título. D. Maria I consegue em 1789 a integração do Grão Priorado na Casa do Infantado e a partir de 1793 o Grão Priorado fica independente de Malta. Em 1834 será extinta, tal como todas as outras ordens religiosas.

Ordem de Malta: 263 anos em Álvaro

Pia baptismal com a cruz da Ordem de Malta.

No vasto território doado por D. Sancho I em 1194, também se incluía o território de Oleiros e Álvaro, embora esta povoação não seja mencionada. Esta omissão provoca, nos finais do séc. XIV, alguma polémica entre a Coroa e a Ordem de Malta, quanto à posse da comenda da vila de Álvaro. Em 1345 o Comendador da Ordem de Malta desenvolve diversas diligências numa disputa com o Rei relativa à posse da Comenda de Álvaro. Porém, D. Fernando (reinado: 1367-1383) em 1381 acaba por sancionar esta pretensão da Ordem. O litígio sobre a posse de Álvaro e suas terras ressurge com D. Afonso V (reinado: 1438-1481) que em 1457 faz dela doação a Gomes Martins de Lemos, Senhor de Trofa. Decisão que pôs cobro a 263 anos de comenda da Ordem de Malta em Álvaro.

Testemunhos da presença da Ordem de Malta

Na Rua do Castelo, a fachada de uma casa particular em frente à lateral da Igreja Matriz, ostenta uma cruz da Ordem de Malta. Na Igreja Matriz uma pia de água benta possui gravada uma cruz da Ordem. A Casa dos Hospitalários terá sido a casa do Comendador da Ordem de Malta, exibindo ainda um conjunto de elementos religiosos provavelmente ligados a essa ocupação. No seu interior exibem-se alguns caixotões do antigo teto de masseira e um lavatório, que se encontravam nesse edifício antes da sua requalificação. Na frontaria, junto ao beiral, uma cruz gravada em xisto.

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