Aldeia

Comareira

A mais pequena, tão genuína

Se queremos olhar, serenamente, o mundo de um ângulo diferente, basta sentarmo-nos no banco à entrada da aldeia.

Às vezes procuramos um sítio assim. Onde possamos desligar-nos do Mundo e estarmos, apenas, nós.  Aceitamos a companhia dos que não nos conhecem e que, simpaticamente, nos deixam entregues a nós próprios. Mas que, num último aceno de cumprimento, como que dizem "Se for preciso alguma coisa, estamos por aqui".  E basta este pequeno sinal para sentirmos que não estamos sós.

Podemos encontrar a companhia de um banco, que nos ajuda a olhar o mundo de um ângulo diferente. Ou pode ser que seja um galo que nos desperte para um novo sol que surge no nosso horizonte. Aqui, pode ser.

É a mais pequena aldeia da rede. Integra o conjunto das quatro Aldeias do Xisto do concelho de Góis e é abrangida pela dinâmica criada em torno Ecomuseu das Tradições do Xisto. A aldeia é um pequeno conjunto de construções, para habitantes e gado doméstico.  Soalheira todo o dia, a Comareira é feita de casas aninhadas umas nas outras, avistando a paisagem que se estende até perder de vista. Os habitantes orgulham-se de dizer que este é um ponto estratégico para os visitantes das Aldeias do Xisto que se interessem pelas praias fluviais desta região ou pelo Parque Florestal da Oitava.

 

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Conhecer a Aldeia

Património

A aldeia é um pequeno conjunto de construções, para habitantes e gado doméstico. Xisto e quartzito são os materiais de construção predominantes, embora algumas fachadas dos edifícios estejam revestidas com um característico reboco crespo de cor tradicional.

Todas as casas erigidas com blocos de xisto obedeceram a regras de construção de modo a se afirmarem resistentes às intempéries e ao passar do tempo. Dispostas em aglomerados visivelmente concentrados, incluem dois pisos: o piso assobrado, ou primeiro andar, e o rés-do-chão, geralmente térreo, que deveria albergar o gado. Contudo também desta regra surgiu a exceção e construíram-se nas imediações de cada povoação vários grupos de currais, ou cortes. Cada um ou mais destes edifícios eram propriedade da respetiva casa da comunidade, consoante o património e poderio do proprietário, em cabeças de gado. O segundo piso funcionava também como loja, uma área de arrumos onde estariam armazenados os cereais, a talha com o azeite, a salgadeira com a carne de porco, as alfaias agrícolas e onde havia, por vezes, uma pequena adega com pipas e dornas de fazer o vinho.

História

As primeiras formas de povoamento que se conhecem no concelho de Góis datam do período neolítico ou bronze I, como testemunham os diversos vestígios e achados arqueológicos, encontrados a norte deste território. A origem destes núcleos verificou-se durante o período do ferro, com a formação de pequenas povoações nas encostas e nos topos das colinas, tendo sido algumas delas posteriormente abandonadas durante a idade média.

A origem destes núcleos verificou-se durante o período do ferro, com a formação de pequenas povoações nas encostas e nos topos das colinas, sendo algumas delas posteriormente abandonadas durante a idade média.
Fazendo face à dificuldade sentida de atravessamento da região, conta-se que teria existido uma estrada "romana" ou "medieval", cujo trajecto seria feito nomeadamente pela Aigra Velha e pela Pena, fazendo parte da rota de mercadorias que se estenderia de Lisboa até ao Norte, tendo como produtos de troca para norte o sal, especiarias e tecidos. Desta forma, a Aigra Velha desempenharia um papel activo na prossecução ritual desse circuito, vendo desenvolver-se a economia tradicionalmente ligada à agricultura e pastorícia.

Ao vencer a subida até Aigra Nova encontramos ainda um bloco de construções integrado na aldeia que aparenta relativa historicidade pelo carácter da construção, bem como pelo grau de destruição, e que marca o início da comunidade da Aigra Velha.

Natureza

A Comareira está incluída no Sítio de Importância Comunitária Serra da Lousã, da Rede Natura 2000. Destaca-se por uma topografia bastante irregular onde predominam as serras, os montes, os vales, bastante encaixados. Estas tipologias, associadas a uma climatização própria, permitiram o aparecimento de uma fauna e flora muito próprias desta região. Do património natural riquíssimo que envolve estas aldeias, destacam-se os penedos de Góis, ex-libris da região, e o Parque Florestal da Oitava, habitat de aves em vias de extinção e de mamíferos, como os veados e corços, que dificilmente se encontram noutras zonas do país.

Território

Na vertente norte da Serra da Lousã, onde o relevo é profundamente sulcado por pequenas linhas de água, Comareira foi implantada numa posição soalheira, onde um declive ameno e a água de rega para aqui desviada, permitiram que uma agricultura de subsistência se desenvolvesse nos cômoros que circundam e deram nome à aldeia.

Estórias e Factos

A origem do nome
Muito provavelmente, terá a sua raiz em cômoro, combro ou cômbaro – com o significado de pequeno socalco de terra, idênticos aos que envolvem a aldeia – de onde terá derivado para combareira, termo que ainda ecoa na memória dos habitantes, o qual terá, finalmente, evoluído para Comareira.

Factos

  • Habitantes permanentes: menos de 10
  • Padroeiro: Santo António
  • Ex libris: Casa da Comareira

Produtos

  • Hortícolas
  • Ovos
  • Cabritos
  • Queijo

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Contactos e Informações

Localização:
Comareira, Góis 
Lat.: 40.127
Long.: -8.15267

Como chegar:
De Norte e de Sul
Na A1 sair em Coimbra. Tome a N17 e saia na N342 no sentido da Lousã. Continue em direcção a Góis até encontrar as placas indicativas (à direita) das quatro Aldeias do Xisto.

De Espanha (pela A25)
Na A23 sair em direcção a Fundão-Sul. No Fundão seguir pela N238 em direcção a Silavres. Siga em frente até ao Orvalho. Aí tome a direcção de Pampilhosa da Serra. Apanhe a N2 no sentido de Góis. Continue pela N342 até encontrar (à esquerda) as placas indicativas das quatro Aldeias do Xisto.

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