Aldeia

Chiqueiro

Embalados pelas campainhas do rebanho

Apenas as campainhas dos rebanhos parecem contrariar a sensação de que aqui o tempo parou há muito.

Capela da Senhora da Guia, ao fundo.

Apenas um casal de habitantes e o seu numeroso rebanho parecem contrariar a sensação de que aqui o tempo parou há muito.

A aldeia é delimitada por duas pequenas linhas de água e dissimulada pela frondosa vegetação que a envolve. Possui malha urbana simples, basicamente organizada por duas ruelas íngremes ladeadas pelo casario. O material de construção predominante é um xisto escuro, de aparelho tosco e, à exceção da capela, nenhum outro edifício é rebocado.

A envolvente florestal e a fauna que a povoa tornam-na num ponto de partida de eleição para caminhadas de descoberta.

 

Ficheiros relacionados

Conhecer a Aldeia

Património

 

Casal Novo, Talasnal e Chiqueiro são bastante semelhantes do ponto de vista arquitectónico, podendo encontrar-se, essencialmente, dois tipos de casas. De um lado, as que seviam normalmente de currais, apresentando apenas rés-do-chão, constituído por uma pedra de xisto apoiada e cobertura em colmo. 

Do outro, as casas de habitação compostas por dois pisos, tendo no piso superior, acessível por uma escada em xisto, uma só divisão para alojamento, muitas vezes com forno de pão ao canto, e no rés-do-chão espaço de alojamento ou curral também. As paredes eram de xisto com massa de argila e palha, e a estrutura feita em madeira de castanho ou pinho.

Merecem destaque:

  • Capela da Senhora da Guia
    Esta capela era partilhado pelos habitantes do Casal Novo e do Talasnal. Parece ter sido o templo mais importante dos três existentes nas aldeias da serra, dado que a aldeia chegou a ter pároco residente. É uma construção em xisto de planta rectangular, rebocada e pintada nas esquinas com faixa em azul-espanta-espíritos. Possui uma imagem de Nª Srª da Guia, em madeira.
  • Inscrição religiosa
    Na fachada de uma casa que se situa junto à capela, uma pedra de xisto possui o que resta de uma pequena inscrição que ali foi gravada. São visíveis as letras “I H S”, que correspondem ao trigrama e símbolo que foi utilizado pela Companhia de Jesus. É provável que a inscrição date da época em que um pároco residiu na aldeia.

História

A fixação da população nas aldeias da Serra da Lousã terá ocorrido a partir da segunda metade do séc. XVII, ou pelo início do séc. XVIII, altura em que a cultura de regadio trouxe novos produtos, como o milho grosso, a batata e o feijão. Até então, a ocupação seria apenas sazonal, na primavera e verão, nomeadamente com atividades pastoris.

Os documentos mais antigos que indiciam a sua ocupação são uma multa infligida pela Câmara da Lousã, em 1679, e o registo de propriedades foreiras ordenado por D. Pedro II, de 1687. No início do séc. XIX, apenas o Candal e a Cerdeira escaparam ao saque do exército napoleónico.

Já em 1885, a população das sete aldeias (as cinco Aldeias do Xisto, mais o Catarredor e o Vaqueirinho) corresponderia a 8,7% do total da freguesia da Lousã (5.340 habitantes). Provavelmente, o Chiqueiro, chegou a ser uma das mais importantes aldeias serranas. Teve pároco residente e na sua capela ocorreram sepultamentos.

A sua maior população residente ocorreu em 1940, com 45 habitantes. Desde 1991 que mantém dois habitantes.

Natureza

O Chiqueiro está incluído no Sítio de Importância Comunitária Serra da Lousã, Rede Natura 2000. Aos azevinhos existentes à entrada da aldeia, juntam-se os soutos na sua envolvente, criando uma moldura arbórea cujas cores e tons variam ao ritmo das estações do ano.

A avifauna florestal e os grandes mamíferos - veado, corço, javali - são aqui abundantes e facilmente observáveis. Daqui partem duas pequenas linhas de água ao encontro da Ribeira da Vergada que corre, encosta abaixo, passando ao lado do Talasnal, a caminho da Ribeira de S. João.

Território

Localizada na Serra da Lousã, na sua vertente ocidental, a aldeia encontra-se numa das encostas, exposta a nordeste da profundamente escavada bacia hidrográfica da Ribeira de São João, o principal curso de água a drenar este flanco da serra.

Fugindo aos acentuados declives da serra, as populações serranas estabeleceram-se onde a terra lhes concedia um pouco mais de planura. No entanto, o Chiqueiro, situado mais acima, tira partido de uma zona de declives menos profundos.

Estórias e Factos

A origem do nome
De chico – que tem o significado de porco - mais eiró, significa curral de porcos, pocilga ou lugar imundo.
“…Primavera, Primavera,
Primavera dos boieiros,
Coitados desses pastores
Que dormem nesses chiqueiros…”
(canção popular transmontana)
Deduz-se que a aldeia terá possuído um número significativo de imóveis e construções rústicas vocacionadas para cortes de animais, provavelmente pertencentes ou ocupados por pastores transumantes que, da Serra da Estrela, vinham pastorear os seus gados para a Serra da Lousã.

Sepultamentos na capela
Nos finais da década de 1950, os habitantes do Chiqueiro, cansados com o desconforto do degradado chão em madeira sobre terra, decidiram substituir o pavimento interior da capela. Durante os trabalhos de retirada da camada superficial de terra, a povoação ficou em alvoroço: três campas ficaram expostas, exibindo uma dúzia de objetos pouco comuns, quando comparados com os parcos haveres dos habitantes (espadas, brincos, colares e coroas). As autoridades foram chamadas, os objetos recolhidos e levados. Para os habitantes, são os testemunhos da presença da Princesa Peralta no Chiqueiro, depois de ter fugido do Castelo da Lousã e ali se ter refugiado.

Factos

  • Habitantes permanentes: menos de 10

  • Padroeiro: Nossa Senhora da Guia

  • Ex-libris: Capela de Nossa Senhora da Guia

Festividades

  • Julho- Encontro dos povos serranos (Santo António da Neve)

  • 2º sábado de Setembro- Festa de Nossa Senhora da Guia


 

Produtos

  • Cabrito
  • Castanha
  • Queijo
  • Mel

Sugestões para a aldeia de Chiqueiro

Ver e fazer em Chiqueiro

Ponto de Interesse
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Candal, Lousã

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Contactos e Informações

Localização:
Chiqueiro, Lousã 
Como chegar:
De Norte e de Sul
Na A1 sair para Coimbra. Tome a N17 (Estrada da Beira) e 14 km após a ponte sobre o Rio Mondego saia para a N236 no sentido da Lousã. Após 9 km chega à Lousã. Aí deverá tomar o caminho florestal de terra batida, a partir de Cacilhas em direcção às Aldeias do Xisto. Siga depois as indicações para a aldeia.

De Espanha
Na A23 sair na saída 18 na direcção Pombal/Sertã tomando o IC8. Após 64 km sair na direcção de Castanheira de Pera pela N236-1. Após 10 km, em Castanheira de Pera, seguir pela N236, subindo a Serra da Lousã até encontrar indicação das Aldeias do Xisto à esquerda através de um caminho florestal em terra batida.

Contactos

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Rua Doutor João Santos
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